terça-feira, 7 de junho de 2016

A SERPENTE NO ATALHO, LIVRO DE LUIZ BELTRÃO

LIVRO DE LUIZ BELTRÃO
A SERPENTE NO ATALHO

Prof. Dr. Sebastião Breguez


O professor José Marques de Melo, meu companheiro das lutas acadêmicas desde 1977, incumbiu-me de uma difícil missão de escrever para o Dicionário Crítico Luiz Beltrão uma resenha sobre o livro A Serpente no Atalho. Foi um grande desafio, pois, não conhecia a produção literária de Luiz Beltrão e nem tinha o livro, esgotado. Conheci José Marques de Melo em São Paulo, em 1977, no Congresso da SBPC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do qual eu participava como coordenador do Núcleo de Pesquisas das Ciências da Comunicação. Daí surgiu um intensivo intercâmbio, inclusive, fui um dos primeiros sócios da INTERCOM, que ele estava criando naquela época.

Marques de Melo é um incentivador, um instigador da produção científica beltraniana. Pode-se dizer que ele – José Marques de Melo – funciona como uma serpente no atalho que tenta e seduz o pesquisador a caminhar, a produzir e publicar suas ideias no campo científico das Ciências das Comunicações. Aceitei o desafio e, como acostumado a lidar com desafios, produzi o texto que segue abaixo. Guardo um afeto especial por José Marques de Melo, pois, embora não tenha sido seu orientando em monografias cientificas (mestrado ou doutorado) tenho nele um farol na orientação dos problemas comunicacionais da sociedade brasileira. Ele foi o principal discípulo das ideias plantadas de Luiz Beltrão na área da Comunicação Social e, inclusive a Folkcomunicação.

O pernambucano Luiz de Andrade Beltrão (Olinda, 1918/Brasília, 1986) é um intelectual produtivo de múltiplas facetas. Sua vida é um retrato de pensador criativo, mas engajado nas questões sociais, culturais, religiosas, éticas e morais de seu tempo. Três vertentes marcaram sua vida: a religiosa, a social e científica. Suas obras revelam variadas incursões de um pensador brasileiro com 20 livros publicados não só na área da Comunicação Social e Jornalismo, passando pela Folkcomunicação, Teoria da Comunicação, mas também na Literatura com ensaios, contos, poesias e romances. A Serpente no Atalho (1974) é um dos seus três romances em que apresenta sua tendência para a literatura ficcional de fundo religioso. Mostra o amor, o sofrimento, paixões, desejos e lutas em toda a saga da humanidade.

Ficou conhecido no Brasil e Exterior por sua valiosa contribuição às Ciências da Comunicação. Foi ele que iniciou a pesquisa acadêmica na área de Comunicação e Jornalismo, tendo sido o primeiro doutor brasileiro na área de Ciências da Informação e da Comunicação. Criou uma leva grande de discípulos como José Marques de Melo e Roberto Benjamin que foram os pilares da continuidade das pesquisas que iniciou na comunicação e na cultura.

Através dele se formou uma farta geração de professores e pesquisadores da comunicação. Sua obra se converteu em vasta bibliografia como material didático, difundido na sala de aula ou estocado em livros direcionados a jovens estudantes e profissionais. Atualmente quando se escreve a história das ciências da comunicação no Brasil, o nome de Luiz Beltrão ocupa papel primordial de destaque como patrono, pesquisador, professor e profissional do jornalismo, das relações públicas e do marketing. Sua contribuição maior foi, sem dúvida, a de criar a disciplina Folkcomunicação dentro do âmbito das Ciências da Comunicação. Uma disciplina que tem interface com a Antropologia e a Comunicação.

Luiz de Andrade Beltrão apareceu ao mundo em dia 8 de agosto de 1918, na cidade de Olinda, em Pernambuco. Foram seus pais, Francisco Beltrão de Andrade Lima (o Dr. Andrade), funcionário público durante o dia, dentista à noite e Maria Amália Wanderley Themudo de Andrade Lima (a dona Marieta), cuidava da casa e dos filhos. Faleceu em Brasília, em 1986. Além de professor, atuou como jornalista, relações públicas, assessor de imprensa, professor e funcionário público. Sua família era de tradição católica, ele recebe uma educação humanista cristã que marca a sua vida pessoal e em sua trajetória profissional passa por instituições católicas brasileiras e internacionais.

Chegou até a ir para o Seminário para tentar seguir a carreira de padre, o que mostra que sua educação ficou marcada pelos valores religiosos da vida cristã católica. Mas saiu do seminário e buscou seguir uma vida laica marcada pelas inquietações vividas pelos intelectuais brasileiros do século XX. A vida religiosa dentro dos muros de um convento não animou muito sua curiosidade, intuição e capacidade para buscar desafios do livre pensar. Mas as grandes preocupações teológicas não abandonaram suas inquietações e investigações futuras no campo das ideias religiosas e filosóficas. Perseguiram sua vida até o último momento.

Na verdade, Luiz Beltrão se apresenta como um novo bandeirante desbravador de mitos que atormentam o homem do século XX. Nascido em Pernambuco, no Nordeste brasileiro, recebe as influências socioculturais de sua região e incorpora grandes questões nacionais ao se movimentar pelo Brasil e Exterior em sua trajetória profissional como professor e comunicador. Foi ao mesmo tempo pesquisador, educador e divulgador científico. Produziu conhecimento midiático ancorado na vivência profissional. As preocupações que atormentaram sua vida intelectual foram cunhadas em três vertentes.

A primeira é de fundo religioso e místico. Entender a criação do Universo e o Homem na estratégia de uma força maior, inteligente que conduz tudo a um caminho que os sábios das religiões não souberam explicar corretamente. Principalmente os de origem cristã que deram muitas explicações, mas de fundo passageiro sem criar uma versão científica, empírica e aceitável pela maioria dos pensadores do mundo moderno. Daí se explica porque ele transforma em romance o Gênesis, capítulo do Antigo Testamento, que trata da origem do Homem e da Humanidade. Ele escreve A Serpente no Atalho em intervalos de folga entre a vida acadêmica e pessoal.

A segunda é de fundo social. Mostra seu engajamento nas lutas sociais de seu tempo contra o pensamento totalitário e também as injustiças sociais. É um intelectual orgânico de que nos fala o italiano Antônio Gramsci. Um intelectual que quer mudar o mundo e acabar com a exploração do homem pelo homem. Seu pensamento, então, não é se aliar à elite dominante, mas de estar junto com as classes subalternas ou dominadas na estrutura social do capitalismo. Esta vertente está presente em suas ações pessoais e também em suas obras acadêmicas e literárias.

A terceira é busca pela compreensão dos processos comunicacionais da sociedade brasileira do século XX num país de território continental, mas marcado por fortes desigualdades sociais, culturais, econômicas e políticas. Inaugura e encaminha as primeiras pesquisas sobre o jornalismo impresso (informativo, interpretativo e opinativo). Escreve sobre as Teorias da Comunicação (europeias, americanas e outras). Analisa os processos de comunicação da elite, que detém os meios sociais de comunicação como o jornal, o rádio e a televisão. Mas mostra, através da Folkcomunicação, que as classes subalternas das sociedades urbanas e rurais de todo o Brasil têm seu próprio processo de comunicação. E que elas se mantêm presentes à sociedade oficial através de seu próprio sistema de expressão de pensar, agir e sentir que têm base na oralidade, na tradição e na proximidade de seus membros.

Uma das grandes inquietações de Luiz Beltrão é compreender o mistério que envolve a vida e o aparecimento do homem na Terra. Talvez, a passagem pelo seminário tenha sido o início de sua busca pela compreensão do mito da existência de Deus e do homem em outro plano. A leitura da Bíblia com o Antigo Testamento escrito em linguagem mitológica e o Novo Testamento escrito em linguagem informativa e simbólica. O grande enigma teológico de todos os tempos, que atormentou todos os sábios do cristianismo desde a Antiguidade até hoje é entender a trajetória do homem: de onde viemos e para onde vamos.

Luiz Beltrão escreveu 20 livros divididos nas áreas de sua atuação profissional como pesquisador de Comunicação e Jornalismo, professor de Cursos de Comunicação, profissional de jornalismo, de relações públicas e funcionário de instituições governamentais, de jornalista profissional e de escritor. Sua produção literária fez com que fosse o eleito para a Academia Brasiliense de Letras o primeiro escritor para a cadeira nº 13 do Patrono Manoel Antônio de Almeida. Com sua morte em 1986, a vaga é hoje ocupada pelo jornalista e escritor Carlos Chagas. Produziu ao longo de sua vida uma obra literária em que constam ensaios, poesias, contos e romances.

Dentre seus livros publicados, estão três romances. O primeiro As Sombras do ciclone (1968), ficção sobre um padre envolvido em adultério. Os personagens não têm nome: são o Padre, a Mulher, o Marido, o Zelador. O livro é o romance favorito de sua família. O segundo foi A Serpente no atalho (1974), que começou a escrever , em 1969, em Medellín, na Colômbia, foi concluído em Brasília no ano seguinte e só foi publicado em 1974. Este romance tem texto insólito e revoltoso e é uma espécie de metáfora em que constrói uma versão ficcional alternativa da história da humanidade a partir do Gênesis bíblico. O terceiro é A Greve dos Desempregados (1984) que mostra sua preocupação social com a situação do Brasil, da classe trabalhadora e os patrões. Aqui constrói um país com superministro, presidente, generais e tecnocratas do período da ditadura militar brasileira (1964-1984).

A produção literária de Luiz Beltrão não teve o mesmo sucesso da produção científica. Seus livros mais divulgados e lidos são os ensaios sobre a comunicação, o jornalismo, o mass-media, a teoria da comunicação e, principalmente, a Folkcomunicação, que hoje agrega importante grupo de pesquisa em todas as universidades brasileiras. Foram poucos os comentários e estudos sobre a produção literária: contos, poesias e romances. A contribuição literária não se popularizou e/ou despertou grande interesse do público.

Os críticos quando fazem análise da obra literária, usam como modelo, a teoria do romance trabalhada por teóricos europeus ou norte-americanos. Ai dissecam o texto como um cadáver: analisam o estilo de narrativa, as formas literárias usadas, o cenário, os personagens etc. Tiram conclusões para enquadrar o texto num modelo teórico. Sobre o trabalho dos críticos, uma vez perguntaram a Heitor Villa Lobos, músico e compositor brasileiro, como ele criava suas obras. Ele simplesmente disse que “crio como cago”. Ele quis dizer que o processo de criação artístico é natural e quase que instintivo. É o caso de Luiz Beltrão em sua vida literária. Ele cria suas obras institivamente nos momentos que aproveita os estalos criativos de sua mente. Nada é planejado detalhadamente. Ele alimenta a imaginação e a transforma em palavras, frases, parágrafos, enfim, páginas de texto ficcional de questões que permeiam a sua existência desde jovem.

O seu romance A Serpente do Atalho (1974) é uma obra ficcional sobre o livro do Gênesis do Antigo Testamento. O texto religioso, escrito em linguagem mitológica, mostra o surgimento do homem com Adão e Eva no Paraíso, um reino da perfeição onde não há injustiça e nem exploração do homem pelo homem, como no mundo capitalista. Mostra a aparição da serpente, no atalho, com a maçã, e a saída de Adão e Eva do mundo divino para construir a vida terrestre onde tudo é aventura, emoção, sensação, instinto e paixão. A ideia de revolta se apresenta porque a saída do Paraíso, um reino sem sofrimento, onde não há trabalho e nem exploração, coloca o ser humano num mundo de competividade, de muita animosidade, lutas e esforços inimagináveis.

Luiz Beltrão constrói neste romance a trajetória do Gênesis. A linguagem ficcional aqui é marcada pelas vivencias do autor no Nordeste brasileiro. Ele se vale de suas experiências do ambiente nordestino, de seus rios, suas matas, florestas, seus vales, de seus bichos. Pode-se dizer que o cenário do Gênesis apresentado no romance mostra contornos do país tropical e não da antiga e milenar Palestina. Mostra sua capacidade de busca de saciar sua curiosidade e inquietude pelo principal mito da Humanidade: o surgimento da espécie humana. Mostra as vivências do autor no interior da Mata Atlântica pernambucana no seio da natureza e das suas paisagens.

O Adão e Eva criados pela ficção beltraniana são brasileiros, mais precisamente, nordestinos que vivem o mito em cenário tropical. Aparecem mestiçados, morenos, vivendo na mata atlântica nordestina. As vivencias humanas de Beltrão, suas tentações, suas angústias, no Brasil do século XX aparecem ai em sua narrativa que busca reconstruir uma história antiga em uma modernidade tupiniquim. A serpente também é brasileira. Pode ser uma cascavel ou uma jararaca travestida de réptil do Oriente Médio. Lá há o deserto com noites frias e dias quentes. As matas e florestas não existem e nem mesmo há abundância de água de rios, lagos e cachoeiras. Aqui temos a mata atlântica com toda a sua abundância de fauna e flora dos trópicos.

No paradigma cristão católico, Adão, o primeiro homem criado por Deus, caiu no mundo das paixões e sensações, chamado mundo do pecado (mundo das vivencias empíricas ou sensoriais), pois, foi seduzido pela serpente. Mas Deus criou o segundo homem, Jesus, que enviou para a Terra no sentido de salvar a Humanidade da esperteza do réptil. Mas Jesus, o homem perfeito, divino, foi crucificado. Este é o grande mito que atormenta a vida de Luiz Beltrão. Jesus era esperado pelos judeus como um Rei, um Messias humano, para criar o estado de Israel, como um novo Paraíso.

O primeiro homem, Adão, é um ser completo. Tem os dois sexos, masculino e feminino, é andrógino. Mas Deus cria a mulher da costela de Adão. Ai são dois seres que têm o poder da criação de outros homens. Surge o segundo sexo separado do homem original. A serpente aparece como símbolo da tentação por novas experiências e a busca do conhecimento sensorial da árvore da sabedoria. A sexualidade, em sua dualidade masculino-feminino é também um grande enigma que já inspirou teólogos, cientistas e artistas de todos os tempos.

 A serpente é outro enigma que atormenta os pensadores de todas as religiões.  É um réptil que rasteja na terra e é símbolo da Ciência e da busca da sabedoria pela pesquisa empírica. Ela não é positiva nem negativa. Tem o sentido de tentação, pois, ela coloca a dúvida que é o motor de ação investigativa das ações e dos fenômenos. Beltrão apresenta a serpente no atalho que seduz a mulher Eva e a faz descobrir outro mundo. Ela seduz também Adão no atalho da existência humana.

A ação do romance se constrói ai em narrativas imaginosas do autor em torno de Adão, Eva, o filho, a maça e a serpente. O mundo se constrói e reconstrói a partir da sedução da serpente que nem Eva e nem Adão souberam evitar. A tentação é a curiosidade, a dúvida, a busca de novas explicações, emoções e sensações. É o que move a humanidade na construção de novos ideais, novos pensamentos e pesquisas científicas. A serpente sempre estará nos esperando no atalho do caminho. Os sábios da antiguidade diziam que não se deve matar a serpente, mas aprender a conviver com ela. Ai se consegue o elixir da longa vida ou a quinta-essência da filosofia que é um dos temas do sábio cristão Tomás de Aquino que foi leitura de Luiz Beltrão no seminário.

Enfim, A Serpente no Atalho é um livro produzido por um escritor engajado que mostra suas inquietações teológicas que permeiam sua existência desde a juventude quando frequentou o seminário para ser padre. Escrito em linguagem clara, elegante, apresenta de forma imaginosa o mito da criação do homem e do aparecimento da humanidade na Terra. O autor transforma o cenário tropical cheio de verde das matas e águas doces e salgados onde a serpente espreita Adão e Eva no atalho da vida. A revolta expressa simbolicamente no texto, decorre da constatação de que, se o primeiro homem não cedesse à tentação, talvez, tivéssemos hoje vivendo num mundo sem lutas, sem medos, nem conflitos, nem desigualdades sociais. Seria o Paraíso como imaginado pelos socialistas utópicos em que tudo é perfeito, sem contradições ou problemas sociais ou outros.

BIBLIOGRAFIA

BELTRÃO, Luiz – A Serpente no Atalho. Brasília: Coordenada, 1974.

 

 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

IMPEACHMENT DE DILMA NA IMPRENSA MUNDIAL

IMPEACHMENT DE DILMA NA IMPRENSA MUNDIAL

 


A crise brasileira provocada pela votação do Impeachment da Presidente Dilma Rousseff provocou reações na imprensa mundial. Aqui vamos reproduzir editoriais e matérias de alguns jornais da Europa e EUA.


Dilma deu entrevista  a correspondentes estrangeiros sobre o processo de impedimento que enfrentará no Senado, autorizado pela Câmara Federal  que parece um golpe político sem armas, articulado por antigos aliados e ancorado na crise econômica, desemprego e decrescimento econômico do país em função da crise mundial.

O editorial do The New York Times sobre a aprovação do impedimento da presidente Dilma pela Câmara na noite das vergonhas políticas de domingo já foi destaque da imprensa nacional e internacional. Muitos outros editorais mundo a fora registraram o retrocesso e a violência política em curso no Brasil que desmentem o diagnóstico do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ontem ele disse que o impeachment de Dilma é “violento mas não traz risco à democracia”. Para o Le Monde, “o Brasil está à beira da raptura”. A seguir, outros editorais e artigos da imprensa internacional que colocam o Brasil no pior dos mundos: um país que desce aos infernos na economia e para completar coloca em risco sua jovem democracia. Um Brasil que, depois de ter conseguido uma inédita projeção internacional volta a ser um Brasil República Caipira ou das Bananas! 



EDITORIAL DO JOURNAL LE MONDE Le Monde (França) – Le Brésil au bord de la rupture / Editorial

Le vote en faveur de la destitution de la présidente Dilma Rousseff est une mauvaise nouvelle pour le Brésil. Si le Sénat, qui doit se prononcer en mai, -confirme la procédure lancée par la Chambre basse, lundi 18  avril, MmeRousseff sera, après Fernando Collor de Mello en  1992, le deuxième chef d'Etat brésilien démis de ses fonctions. Pour une jeune démocratie de trente et un ans, c'est beaucoup.

Si la corruption est au cœur des deux révoltes politiques, Dilma Rousseff, à la différence de M.  Color de Mello, n'est pas suspecte d'enrichissement personnel. Elle est accusée d'avoir usé d'artifices administratifs pour maquiller le déficit budgétaire, un procédé auquel elle n'est pas la première à avoir eu recours. Mais à travers elle, c'est tout un système qui est mis en cause, une spirale qu'elle n'a pas su contrôler  : la gigantesque corruption au sein de la compagnie pétrolière nationale Petrobras, qui a servi de vache à lait au Parti des travailleurs (PT) au pouvoir et à ses alliés, notamment lorsque Mme Rousseff en était la ministre de tutelle, et une classe politique très largement impliquée dans des malversations multiples. La décision désespérée de la présidente, il y a un mois, de nommer son prédécesseur et mentor politique Luiz Inacio Lula da Silva au gouvernement pour le sauver de poursuites judiciaires dans un autre scandale de corruption n'a fait qu'aggraver les choses.

Dilma Rousseff paie aussi le retournement spectaculaire de l'économie brésilienne. Le ralentissement de la demande chinoise et l'effondrement des cours des matières premières ont transformé ce géant émergent de l'Amérique latine, flamboyant membre des BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine) qui a réussi, sous le règne de Lula, à tirer des dizaines de millions de gens de la pauvreté, en une économie frappée par la récession et le chômage. Les experts s'attendent, en  2016, à une chute de 3,5  % du PIB, pour la deuxième année consécutive.

Les dirigeants de l'opposition ont redonné des couleurs aux marchés financiers en faisant miroiter une libéralisation de l'économie, dans l'éventualité où le départ de Mme Rousseff leur permettrait de prendre le pouvoir. Plusieurs facteurs pourraient venir doucher ces espoirs.
D'abord, les successeurs probables de la présidente ne sont guère plus blancs qu'elle. Le premier, le vice-président, Michel Temer, est également susceptible de faire l'objet d'une procédure de destitution. Le suivant dans l'ordre de succession, Eduardo Cunha, le président de la Chambre basse, est accusé d'avoir dissimulé des millions de dollars de pots-de-vin sur un compte suisse.

Ensuite, comme le montrent les manifestations de ces derniers jours, l'opposition ne saurait passer par pertes et profits le soutien dont jouissent encore le PT et l'héritage de Lula dans la population, en dépit de l'immense impopularité de Dilma -Rousseff. Le climat politique va se durcir encore, et les dirigeants de l'opposition en première ligne dans la procédure de destitution ne sont pas les mieux placés pour laver le dégoût qui s'est emparé des Brésiliens pour leur classe politique.

Du côté du pouvoir cependant, crier au coup d'Etat ne sauvera ni Mme Rousseff, ni Lula, ni le PT. Le Brésil est entré dans une phase d'incertitude à haut risque. Il faut souhaiter que ses élus se ressaisissent et comprennent l'urgence de dépasser leurs intérêts personnels pour se consacrer à ceux d'une population qui avait placé sa confiance en eux.


The Washington Post (EUA) – Brazil’s lower house of Congress votes to impeach President Dilma Rousseff / Capa

By Dom Phillips and Nick Miroff

BRASILIA — President Dilma Rousseff lost a crucial impeachment vote in Brazil’s lower house on Sunday evening, making her removal ever more likely and deepening the country’s political crisis less than four months before the opening ceremony of the Summer Olympics in Rio de ­Janeiro.
Rousseff’s opponents easily obtained the two-thirds majority of votes in the 513-member Chamber of Deputies needed to pass the impeachment measure. Voting one by one in a rollicking marathon session broadcast live on television to a rapt Brazilian public, the pro-impeachment lawmakers celebrated wildly on the floor of parliament as they vaulted past the minimum threshold needed to repudiate her.

“To rescue the hope that was stolen from the Brazilian people, I vote yes,” said Shéridan de Anchieta, one of the many anti-Rousseff lawmakers whose statements brought rowdy applause and jeers to the chamber. One lawmaker fired confetti into the air from a toy pistol after voting to sack the president.
The cascade of votes to boot Rousseff from office less than two years after her reelection was a powerful display of her abject political collapse and the extremes of her unpopularity. Rousseff, 68, is the hand-picked successor of iconic former president Luiz ­Inácio Lula da Silva, and their leftist Workers’ Party once seemed unassailable as it led Brazilthrough an extended period of prosperity that lifted tens of millions out of poverty.

She and her supporters repeatedly denounced the impeachment attempt as “a coup” tantamount to an interruption of Brazilian democracy, which was restored in 1985 after 21 years of military rule.
Yet with Rousseff’s approval rating hovering around 10 percent, Sunday’s vote turned into a visceral repudiation of the 13 years that she and Lula have been in power. It was a stunning reversal of fortune in a country where everything seemed to be going right just a few years ago, when a global commodity boom had the Brazilian economy purring.

Now Brazil is mired in its worst economic slump since the 1930s. A frightening Zika epidemic continues to spread. With the country’s leaders consumed by political combat and a broad corruption scandal, Brazil today is a far angrier and more divided country than the one picked in 2009 to host this summer’s Olympics.

The impeachment measure will now move to Brazil’s Senate, where only a simple majority is needed to forceRousseff to step down. Senators would have 180 days to conduct formal impeachment hearings before a final vote to determine her fate while Vice President Michel Temer — Rousseff’s former running mate and now rival — assumes temporary control.
“It was a battle,” said Miguel Hadad, an opposition leader who voted for Rousseff’s removal. “So it is a moment of satisfaction for us, and also for the millions who went to the streets to demand impeachment.”

Lindberg Farias, a Rousseff ally in the senate, said that the politicians who could end up in power would frighten Brazilians, and that the president could prevail in the upper house, where a vote has yet to be scheduled.

Rousseff isn’t accused of stealing, but her opponents said she should be impeached because her administration allegedly tried to cover up budget gaps with money from government banks. She has denied any wrongdoing.

The specifics of those charges were barely referred to during Sunday’s proceedings — lawmakers voting for impeachment concentrated on attacking corruption and Rousseff’s economic record in 10-second speeches that were screamed as often as they were spoken.
Why Brazil may be dealing with an impeachment during the Olympics
 “Lula and Dilma in jail! I vote yes for impeachment!” shouted Soraya Santos, a deputy from the state of Rio de Janeiro.

But many Brazilians unhappy with Rousseff also are wary of the lawmakers leading the impeachment push, more than half of whom are under investigation themselves on suspicion of corruption, bribery and other misdeeds, including Eduardo Cunha, the speaker of the lower house, who orchestrated the vote.

Said Communist Party deputy Marcivania Flexa, before voting against impeachment: “I have never seen so much hypocrisy.”

Brian Winter, a Brazil expert and the vice president of the Americas Society and Council of the Americas, said thatRousseff’s impeachment was a process from which few winners would emerge.
“I worry history may take a dim view of both President Rousseff and this impeachment,” he said.
“Brazil’s economy is in its worst recession in at least 80 years in large part because of mistakes Rousseff made. But it’s hard to see how this impeachment — under dubious circumstances, by a Congress just as unpopular as she is — will lead to solutions in the near term,” Winter said.
“In coming weeks, I think you’ll see Rousseff pull out every legal and political means at her disposal to stay in office,” he added. “It’s going to be a messy transitional period of weeks or months, full of protests and polarization. Brazil’s economy needs strong leadership to pass a new wave of reforms, pull out of this mess and get back on the path it was on last decade when it dazzled the world.”
Demonstrators on both sides of Brazil’s political divide held rallies and street protests here and nationwide Sunday. Many followed the voting in Congress on big screens as if watching a soccer match.

According to police estimates, the crowd of more than 50,000 impeachment supporters at a rally Sunday outside Congress was twice as large as the anti-impeachment group that marched through Brasilia in Rousseff’s defense.

Those demonstrators have camped out near a soccer stadium here in the capital, many of them from activist groups, unions and left-wing movements that belong to Rousseff’s coalition.
Maria da Silva, 47, traveled from Maceio, in northeastern Brazil, where she works for the bus drivers trade union. She said the lives of tens of millions of poorer Brazilians like her improved immeasurably under Workers’ Party governments.

“There is more opportunity for the poor,” she said, adding that she had been able to buy her house through a government financing scheme that built low-cost housing. “To take out [Rousseff] and put the others in will be horrible,” she said. “This is a coup.”

But those working to remove Rousseff before the end of her second term, in 2018, say this movement is different and entirely democratic.

Pro-impeachment demonstrators are camped here in a city park, many wearing the yellow-and-green jerseys ofBrazil’s national soccer team. On the whole, they are more middle class and lighter-skinned, reflecting some of the racial and economic undercurrents in the impeachment battle.
Tiago Medina, 28, was in a group that had traveled from Porto Alegre, in Brazil’s more prosperous south, a bastion of anti-Rousseff sentiment. He said the pro-impeachment side is made up of people “who defend the values of freedom, with less state intervention in the economy.”
Medina said their movement is part of the rightward shift across Latin America after more than a decade of dominance by leftist leaders. “We’re standing up for liberal values,” he said.


 


The New York Times (EUA) – Dilma Rousseff Is Impeached by Brazil’s Lower House of Congress / Capa

By ANDREW JACOBS

BRASÍLIA — Brazilian legislators voted on Sunday night to approve impeachment of Dilma Rousseff, the nation’s first female president, whose tenure has been buffeted by a dizzying corruption scandal, a shrinking economy and spreading disillusionment.
After three days of impassioned debate, the lower house of Congress, the Chamber of Deputies, voted to send the case against Ms. Rousseff to the Senate. Its 81 members will vote by a simple majority on whether to hold a trial on charges that the president illegally used money from state-owned banks to conceal a yawning budget deficit in an effort to bolster her re-election prospects. That vote is expected to take place next month.

Those pressing for impeachment had to win the support of two-thirds of the 513 deputies in the lower house; the decisive 342nd vote for impeachment happened at about 10:10 p.m. Eastern time. The final vote was 367 for impeachment, 137 against and 7 abstaining. Two deputies did not vote.
If the Senate accepts the case, Ms. Rousseff will step down temporarily while it deliberates her fate. Vice President Michel Temer, a constitutional law scholar and seasoned politician, will assume the presidency.

Given the larger-than-expected margin of deputies voting for impeachment, some political analysts said the Senate was likely to remove Ms. Rousseff from office, a ruling that would require a two-thirds majority.

“Politicians know how to read society pretty well, and they can sense that the people want her out,” said Paulo Sotero, the director of the Brazil Institute at the Woodrow Wilson International Center for Scholars in Washington.

Ms. Rousseff can still appeal to the Supreme Federal Tribunal, Brazil’s highest court, though it has rejected previous motions to have the impeachment measure dismissed.
The chamber’s decision to impeach Ms. Rousseff less than halfway through her second term provoked shouts of joy among the thousands of protesters who had gathered in the capital and in cities across the country, but also cries of treachery from her supporters.
Weeping as she stood amid the throngs rallying in support of the president, Gabriela Correia, 22, a customer service representative, said she was disgusted that so many deputies, some of them notoriously corrupt, had voted against Ms.Rousseff. “I want to make clear that I’m not here to defend a politician, but to protect our democratic political system,” she said. “My heart is aching.”
Some political analysts said they worried that the move to impeach Ms. Rousseff would cause lasting damage toBrazil’s young democracy, re-established in 1985 after two decades of military dictatorship.

“This is a coup, a traumatic injury to Brazil’s presidential system,” said Pedro Arruda, a political analyst at the Pontifical Catholic University in São Paulo. “This is just pretext to take down a president who was elected by 54 million people. She doesn’t have foreign bank accounts, and she hasn’t been accused of corruption, unlike those who are trying to impeach her.”
Although legal experts and political analysts are divided, many have expressed concern over the basis of the impeachment drive. They note that the budgetary sleight of hand that Ms. Rousseff is accused of employing to address the deficit has been used by many elected officials, though not on so large a scale.

“It’s putting a very large bullet in Brazilian democracy,” said Lincoln Secco, a professor of history at the University of São Paulo. “This will set a very dangerous precedent for democracy in Brazil, because from now on, any moment that we have a highly unpopular president, there will be pressure to start an impeachment process.”

The vote to impeach is a crushing defeat for Ms. Rousseff and her Workers’ Party, a former band of leftist agitators who battled the nation’s military rulers in the 1980s and who swept to power in 2002 with the election of one of the group’s founders, Luiz Inácio Lula da Silva, to the presidency.
Mr. da Silva, a skillful politician who endeared himself to both rich and poor, presided over heady economic growth and a generous expansion of social welfare benefits that helped lift millions of Brazilians out of abject poverty.

He also moved to strengthen the government’s control of key industries like petroleum. That set the stage for abuses at Petrobras, the state-owned oil company, that would later ensnare scores of the nation’s political and business elite in a scheme that funneled kickbacks into campaign coffers.
Barred from running for a third term, he anointed Ms. Rouseff as his successor, and she easily won election in 2010.

A former Marxist guerrilla, Ms. Rousseff had never before held elected office, and critics say her lack of political skills hampered her ability to work with opposition members in Congress as well as key figures in her governing coalition.

In 2014, she was re-elected by a thin margin after an especially divisive campaign.
As the economy went into a tailspin and a huge corruption scandal took down once-untouchable political figures, Ms.Rousseff was abandoned by many of her allies, giving momentum to an impeachment initiative conceived by her rivals.

“When things started going wrong, she was unable to get the situation under control, and her lack of flexibility and stubbornness made things worse,” said Mathieu Turgeon, a political scientist at the University of Brasília. “All of this has now caught up with her.”

The impeachment drive has been polarizing, spurring raucous street protests, sundering friendships and provoking widespread anxiety over the potential impact to Brazil’s democracy.
Ms. Rousseff and her supporters have likened the impeachment drive to a slow-rolling coup by her political rivals, among them Mr. Temer, her vice president, who last month joined those calling for her impeachment.

The recent fortunes of Brazil, once an economic powerhouse of the developing world, have gone from bad to worse, with the economy expected to contract at least 3.5 percent for a second year in a row. Millions of Brazilians have lost their jobs since the days of double-digit growth, fueled in part by China’s hunger for commodities.

In recent months, her once-favorable approval ratings have dipped below 8 percent.
“This is a government that has lost legitimacy, credibility and the ability to govern,” said Monica de Bolle, a senior fellow at the Peterson Institute for International Economics, a research group in Washington. “It’s a terrible situation.”

Although Ms. Rousseff is not accused of corruption, the Petrobras scandal has implicated important members of her party, including Mr. da Silva. He is being investigated over allegations that he and his foundation received the equivalent of $7.8 million in services and lecture fees from construction companies seeking government contracts.

The unfolding scandal, known as Operação Lava Jato, or Operation Car Wash, has riveted Brazilians, as prosecutors have released details of how Petrobras funneled millions of dollars into the political campaigns of Workers’ Party politicians and their allies.

“The impeachment is on relatively weak constitutional grounds, but at the end of the day, this is a vote on the massive corruption probe, deep recession and a series of other issues that have plagued this administration,” said Christopher Garman, a Brazil analyst at the Eurasia Group, a political risk consulting firm.

Ms. Rousseff is the second Brazilian leader to be impeached since 1992, when Fernando Collor de Mello, facing huge protests over an influence-peddling scandal, resigned moments before the Senate was to vote on his ouster.

Ms. Rousseff’s predicament is somewhat different. Unlike Mr. Collor de Mello, she has not been accused of self-enrichment, and despite her sagging popularity, only 61 percent of Brazilians support impeachment, down from 68 percent last month, according to a survey by the polling firm Datafolha.
Then there is the question of who and what comes next. Vice President Temer, a senior member of the Brazilian Democratic Movement Party, will have to grapple with political and economic challenges.

He also faces possible impeachment over the same allegations lodged against Ms. Rousseff, as well as accusations that he was involved in an illegal ethanol-buying scheme.

Next in line for the presidency after Mr. Temer is Eduardo Cunha, the powerful leader of the lower house, who has been a driving force behind Ms. Rousseff’s impeachment. An evangelical Christian who is fond of using his Twitter account to spread biblical verse, Mr. Cunha is accused of using a Swiss bank account to conceal $40 million in bribes.

“People are fed up with the mismanagement and economic mistakes of Dilma, and the corruption and arrogance of the Workers’ Party, but no one feels any optimism for what might come next,” said Raul Juste Lores, the editor at large for Folha de S.Paulo, a leading Brazilian newspaper.

As tens of thousands of people gathered outside the National Congress on Sunday to express their support for or against impeachment, some celebrated by setting off fireworks, while others said there were no winners in the day’s vote.

Among them was Stephany Machado, 22, a Portuguese teacher who had made the 16-hour trip by bus from São Paulo. Although she said she was not a supporter of the Workers’ Party, she worries about the long-term damage that impeachment could inflict on democracy in Brazil.

“Dilma is president through the power of our votes, and what they are trying to do is remove her from power in an anticonstitutional way,” she said. “We can’t give this up without a fight.”

Paula Moura contributed reporting from Brasília, and Vinod Sreeharsha from Rio de Janeiro.


The Washington Post (EUA) – Fights loom after Brazil’s lower chamber OKs impeachment

By Jenny Barchfield and Mauricio Savarese

BRASILIA, Brazil — For the second time in under a quarter century, Brazil’s Chamber of Deputies voted to open impeachment proceedings against a democratically elected leader, dealing a devastating blow to President DilmaRousseff, whose left-leaning Workers’ Party came to power 13 year ago on the promise of improving the lot of the poor.

The 367-137 vote late Sunday in favor of impeachment was well over the 342 votes needed for the proceedings to move ahead to the Senate, where a majority vote will determine whether Rousseff is put on trial and suspended while Vice President Michel Temer temporarily takes over. The exact date of the Senate vote is not known, but it’s widely expected by the middle of next month.

The vote in the lower house sparked elation among many Brazilians, who hold Rousseff responsible for everything from the devastating recession to chronic high taxes and poor public services. At the same time, a broad swath of the population was deeply upset by the results, which many decried as anti-democratic and worrisome.

“I’m happy because I think Dilma had to go, but I’m also both sad that it came to this and also really worried that the next president could be even worse,” said Patricia Santos, a 52-year-old small business owner who was among an estimated nearly 60,000 pro- and anti-impeachment demonstrators who outside Congress. “I quiver to think what awaits us next.”
While Rousseeff herself didn’t react to the results, her party’s leader in the lower house, Jose Guimaraes, acknowledged the battle had been lost but insisted the war was just beginning.
“The putchists won in the Chamber of Deputies. . We can turn it over in the Senate,” he said. “We’re going to continue to fight because we don’t back down and we aren’t going to let ourselves be beat by this momentary loss.”

Solicitor General Jose Eduardo Cardozo said after the vote that Rousseff would not resign and that she would address the situation Monday. He also hinted an appeal could be filed with the Supreme Federal Tribunal, Brazil’s highest court.

Sunday’s vote came about 24 years after the lower house opened impeachment proceedings in 1992 against Fernando Collor de Mello, Brazil’s first democratically elected president after more than two decades of military rule. Collor faced corruption allegations and ended up resigning before the conclusion of his impeachment trial in the Senate.

Rousseff has been accused of violating fiscal laws by using sleight-of-hand accounting to maintain government spending. Noting she hasn’t been accused of any crime, she insists the impeachment is a “coup” and has pledged never to resign.

Rousseff’s foes maintain the budget maneuvers were a bid to shore up popular support as Brazil plunged into the worst recession in decades.

Rousseff says previous presidents used the same accounting maneuvers without repercussions and insists the allegations are little more than a flimsy excuse by Brazil’s traditional ruling elite to snatch power back from the Worker’s Party, which has governed since 2003.
Luciano Dias, a Brasilia-based political consultant, said ultimately Rousseff “made the same mistakes that former President Fernando Collor made.”

“She took too many resources from the private sector, she was arrogant with Congress for a long time and her economic policies were just wrong,” he said.

Rousseff, a one-time guerrilla fighter who was tortured under the military dictatorship, was hand-picked by charismatic former President Luiz Inacio Lula da Silva to succeed him — becoming Brazil’s first woman president. But seven years of galloping economic growth under Silva began to flag after she took office in 2011, and she narrowly won re-election in 2014 after widespread nationwide protests a year earlier. Her popularity rating has plunged in step with the tanking economy, and opinion polls suggest a majority of Brazilians support her ouster, though many appear to have reservations about those in line to replace her.

Temer, the vice president, has been implicated in the investigation into a mammoth corruption scheme centered on the state-run Petrobras oil company. He could conceivably also face impeachment proceedings because he signed off on the some of the same fiscal maneuvers as Rousseff.

The second in line to replace Rousseff, Chamber of Deputies Speaker Eduardo Cunha, has been charged with taking $5 million in bribes in the Petrobras scheme.
Cunha was the driving force behind the impeachment proceedings — an irony that was not lost on the government camp.

“My god, what hypocrisy. It’s not Dilma who should leave the (presidential) palace. You, Eduardo Cunha, should not be in that seat,” lawmaker Moema Gramacho of the Workers’ Party said as she proclaimed her “no” vote.

Asked whether he was happy with the results, Cunha said, “All of this is very sad, very serious.”
“The president lost the ability to govern a while ago . she fell to the bottom of the well,” Cunha said, adding, “NowBrazil has to get out of the well.”

A circuslike atmosphere reigned on the floor of the house during the six-hour vote. Lawmakers sporting Brazilian flag capes and red sashes jostled, jeered, cheered, chanted and snapped endless selfies as they picked their way through the packed crowd to the microphone to proclaim their votes.
Impeachment supporters invoked God, family and Brazil to justify their votes, often saying impeachment would help put an end to endemic corruption in the country.
“I want tomorrow to be a new day for this country, a new day of hope,” said Odelmo Leao of the Progressive Party. “God bless. My vote is yes.”

Rousseff’s supporters said it was a blow for the poor — an estimated 30 million of whom were lifted out of destitution, thanks in part to the Workers’ Party’s popular wealth redistribution programs.
“This is a coup against the poor, a coup against social programs,” said Workers’ Party legislator Patrus Ananias.

Robert Silva, who was collecting empty cans at the pro-impeachment rally in front of Congress, said he didn’t think anything that happened within its halls would improve his lot much.
“With Dilma, my life is like this,” he said, gesturing to his shopping cart filled with crumpled aluminum cans. “I just hope with whoever’s next it won’t get worse.”


Le Parisien (França) – Unit de destitution au Brésil

La soirée a été longue pour la présidente Dilma Rousseff, que l'opposition de droite s'échine à chasser du pouvoir. Un bras de fer titanesque entre ennemis jurés.

Charles De Saint Sauveur

Hier soir, le président du Congrès, Eduardo Cunha, a ouvert à Brasilia une session historique où les 513 députés devaient se prononcer sur la destitution de la très impopulaire présidente du Brésil, Dilma Rousseff, au pouvoir depuis cinq ans.

L'atmosphère à l'Assemblée, confuse et survoltée, était à la mesure de la crise politique qui secoue le pays depuis plusieurs mois. Dehors aussi : une immense foule s'est postée devant le Congrès pour suivre le vote sur des écrans géants. Symbole d'un pays coupé en deux, une barrière de 1 km a été plantée pour séparer les opposants (en vert et jaune) des partisans (en rouge) de la présidente. Hier soir, tous retenaient leur souffle. Retour sur les acteurs clés de ce drame politique.

Rousseff, la présidente en sursis. « Je ne renoncerai jamais ! » a lâché hier la présidente brésilienne, soupçonnée d'avoir maquillé les comptes publics pour minimiser les déficits et ainsi favoriser sa réélection en 2014. Plongée dans la tourmente, elle sort les griffes contre l'opposition qui a juré sa perte. Des « putschistes », clame-t-elle, avec la hargne qui bluffait ses camarades quand elle appartenait à la guérilla marxiste. Torturée, emprisonnée trois ans, elle n'a jamais eu peur de défier ses ennemis : la junte militaire au pouvoir autrefois, les députés de droite aujourd'hui. Elue en 2004 dans le fauteuil de l'ultra-populaire Lula, elle a d'abord surfé sur une popularité record (77 %), puis tout s'est effondré en 2015, quand la récession a mis fin au miracle économique. Désormais, six Brésiliens sur dix veulent la voir partir.

Lula, le revenant. Pour sauver la présidente de la tempête, il n'y avait que lui : Lula da Silva, son mentor. L'ancien chef du Parti des travailleurs, charismatique et adulé, est revenu à 71 ans dans le jeu politique à la faveur de la crise, en prenant les rênes du cabinet présidentiel, l'équivalent d'un rôle de Premier ministre. Une nomination très contestée — y compris par la justice — pour épauler Dilma mais aussi pour se protéger des soupçons de corruption dans l'affaire Petrobras.
Temer et Cunha, les « conspirateurs ». Pour les hérauts de la destitution, le calcul est simple : 342 députés, soit les deux tiers, devaient voter cette nuit pour la destitution de Rousseff, préalable indispensable à la poursuite de la procédure début mai devant le Sénat, qui tranchera le sort de la présidente. A la manoeuvre, deux hommes. Michel Temer, le vice-président (centriste,) brésilien, qui s'est lassé, à 75 ans, de jouer les seconds rôles. Cet homme d'appareil discret veut sa part de lumière et ne s'en cache plus. C'est lui qui a sonné l'hallali en retirant son parti centriste de la coalition gouvernementale. Quant à l'autre « conspirateur », Eduardo Cunha (photo ci-contre), il est celui qui tire — depuis le fauteuil de la présidence du Congrès — les ficelles de la destitution, tel un Machiavel brésilien. A 57 ans, ce centriste, proche de Temer, a juré la perte de Dilma Rousseff. Mais son tour pourrait venir, car il est soupçonné d'avoir touché des pots-de-vin dans le cadre du scandale Petrobras.


FINANCIAL TIMES

Financial Times (Reino Unido) – Brazil tensions rise amid vote on Dilma Rousseffimpeachment

Joe Leahy

Brazil's government braced itself amid mass protests on Sunday as congress began a crucial vote on whether President Dilma Rousseff should be impeached.

By the early evening, 83 members of the 513-lower house had voted for impeachment, with 25 against and three abstentions. The opposition needs 342 votes to pass the motion. The government and the ruling Workers' party (PT) requires 172 votes against and abstentions to overturn the motion.
In Brasília, supporters both for and against impeachment massed in front of the house of congress, divided by a metal wall and guarded by riot troops.

In spite of an oppressive sun, the atmosphere was carnival-like, with organisers mixing live entertainment with political speeches and some protesters drinking beer.

"Get rid of this thief," said one protester in favour of impeachment while those on the other side of the fence lamented the takeover of the country by "golpistas", or coupmongers, as the Workers` Party has dubbed the opposition.

In a show of confidence early in the day, Ms Rousseff had gone on her normal morning cycle ride near her presidential home in Brasília.

"We are living under the threat of a coup," Ms Rousseff said in an column published in Folha de S.Paulo newspaper. "A coup without the use of arms but by methods even more destructive, such as fraud and lies."

The vote is being watched closely by markets, which have rallied on hopes that Ms Rousseff's government will fall.

Critics accuse her of pursuing interventionist policies that have led to one of the worst political and economic crises inBrazil's history, with the economy facing its deepest recession in more than a century and the government hamstrung by the impeachment debate.

The government and its opponents are also implicated in a corruption investigation at Petrobras, the state-owned oil company, further angering Brazilians.
If congress approves the impeachment vote, the senate will then vote on whether to accept the process.

If this passed by a simple majority, the formal trial would begin in the senate and Michel Temer, the vice-president, would take over as acting president in early May.

Ms Rousseff, one of the country's most unpopular presidents in history, has spent the weekend wooing congressmen and state governors, some of whom wield considerable power in congress, inviting them to her home in Brasília.

In a video published on social networks, Ms Rousseff said the opposition would cut social programmes including the Bolsa Família, a monthly stipend for the poor, if it won power — a threat she used to woo low-income earners in the 2014 elections. Mr Temer has denied such claims.
Congress has been debating the impeachment proposal since Friday, with lawmakers from all sides giving impassioned speeches. The nearly 43-hour session was the longest in the chamber's history, local media reported.

Led by Eduardo Cunha, the house speaker and a sworn enemy of Ms Rousseff, the voting session is expected to begin at 2pm local time with more speeches after which each lawmaker will vote.
If Ms Rousseff loses, she is expected to use her remaining time in office to try to sway the vote in the senate with promises of ministries, government jobs and local spending commitments.

Mr Temer, hitherto a retiring vice-president who commands little name recognition among most Brazilian voters, will face fierce opposition from the PT, which is known for its ability to marshal unions and social groups for street protests.

He would, however, enjoy the support of markets and industry, giving him a short honeymoon with which to try to rebalance Brazil`s sinking public finances and introduce some reforms.
If Ms Rousseff wins, the political infighting is expected to continue, with elections not due until 2018. She faces other threats, including a lawsuit in the election tribunal alleging that she used money from corruption to fund her 2014 election campaign.

If convicted by the electoral court, she and Mr Temer would have their mandate annulled and new elections would be called.

 
The Times (Reino Unido) – Protests grip Brazil as Rousseff faces impeachment defeat

James Hider

Brazil lurched deeper into turmoil last night as President Rousseff was poised to lose a vote that could end her rule of South America's largest nation.

Tempers flared as a three-day debate in congress ended in a vote on whether to impeach her. As each member of congress stepped up to a microphone to cast their vote, they made a short speech, either denouncing a "coup" if they were in her favour, or declaring that they were voting against corruption.
Polls showed that the pro-impeachment lobby had the two thirds of votes necessary to push the case up to the senate for trial. As voting dragged on into the night, the anti-government lobby was leading Mrs Rousseff's supporters by a ratio of almost four to one.

The president, a former Marxist guerrilla, failed to secure an 11th-hour supreme court injunction to block the vote. She cancelled an appearance at a rally and locked herself in desperate talks with undecided congressmen.

"They want to convict an innocent woman and save the corrupt," Mrs Rousseff, 68, wrote in an editorial, referring to the fact that many of those who are trying to force her out have themselves been accused of corruption, much of it linked to the $2 billion bribery scheme at the state oil company Petrobras.

The president is accused of diverting state funds to win the last election for her Workers' party.
Outside congress in the capital Brasilia, rival camps were divided by a metal fence that stretched half a mile and which was erected last week by prisoners under the supervision of armed police. The barrier outside the seat of government has become a symbol of how the impeachment issue has divided the nation.

Four large television screens placed on each side of the barrier allowed protesters, who were expected to swell to several hundred thousand, to keep track of the vote, which was expected to take hours.
The leader's supporters, clad in red, faced her opponents in yellow and green, the national colours. Protests were organised in other cities and the prospect of violent street clashes was rising.
Mrs Rousseff is one of the only top politicians not directly accused of some form of personal self-enrichment, although the impeachment charges claim that she used false accounting before the 2014 elections to make the economy appear robust even as it was tipping into crisis, shrinking by about 4 per cent last year.

She said that the charges were "fraud and lies in an attempt to dismiss a legitimately elected government and replace it with a government without legitimacy".

A vote for impeachment in the lower house would mean that the senate would have to decide, by a simple majority, whether to put her on trial. If it voted in favour Mrs Rousseff would be suspended to face trial in the senate in a session overseen by the head of the supreme court.

Michel Temer, her vice-president, would take over but the 75-year-old head of the centre PMDB party that walked out of Mrs Rousseff's coalition, could face similar impeachment charges to the president.

Eduardo Cunha, the Speaker and a party colleague in the PMDB, has manoeuvred to block the process. Mr Cunha is accused of taking at least $5 million in bribes in the Petrobras case.


 
Reuters (Reino Unido) – Brazil markets set to rally after Congress backs impeachment

SAO PAULO | By Bruno Federowski

Brazil's financial markets are expected to react with euphoria on Monday after the lower house of Congress backed impeachment proceedings against President Dilma Rousseff, analysts and traders said.

Brazil's stocks and currency have been among the world's best performing assets on bets that the leftist president's ouster would open the door to a more business-friendly administration, better equipped to lift the economy out of its worst recession since the 1930s.

Hopes of political change have already helped lift the Bovespa benchmark stock index .BVSP more than 20 percent this year to its highest level since mid-2015.

In a sign the rally could continue, an exchange-traded fund of Brazilian equities (1325.T) gained 3.8 percent in Tokyo trading shortly after the result was announced.

But traders' initial euphoria after Sunday`s Congressional vote could soon give way to caution as they look for hints of what policy would look like in a government led by Vice President Michel Temer.
"Initially, details will be ignored and irrationality will prevail for one, two days," said Thiago Castellan Castro, a trader with Renascença brokerage in São Paulo. "After that, we'll go back to assessing technical issues - monetary policy, who'll be in charge of policymaking."

Sunday's vote by 367 votes to 137 against - with 7 abstentions and 2 absences - was widely seen as the biggest hurdle to ousting the unpopular Rousseff.

Temer would now take office if a majority of the Senate votes to open a trial against Rousseff in early May, as is expected. At that point the president would be suspended during the trial, which could last up to six months, and would be dismissed if found guilty.

Many believe Temer would have an easier time implementing austerity measures after Rousseff's pledges of spending cuts and tax increases bumped into strong opposition from her own lawmakers following her tight reelection in 2014.

Alexandre Póvoa, a partner with Canepa Asset Management, wrote in a client note the index could rise by an additional 10 percent.

However, investors could book profits as early as May if it becomes clear that Temer does not hold a clear fix toBrazil's economy, he said.

The real has strengthened more than 10 percent so far in 2016 despite determined action by the central bank to weaken the currency. Renascença's Castro said the currency could reach 3.40 per U.S. dollar on Monday after closing at 3.52 on Friday.

Banco Fibra's head of treasury Cristiano Oliveira said the currency should stabilize at about 3.30 per U.S. dollar but could reach as far as 3.00 if it over shoots.

ECONOMIC TEAM

Once the dust settles, traders will scrutinize the nominations for Temer's economic team, analysts said.

"Ideally, he would set up a team who is named for its technical credentials, not political reasons," said Leonardo Monoli, a partner with Jive Asset Management.

Local media have named former central bank presidents Henrique Meirelles and Armínio Fraga, both known for sticking with orthodox policymaking at times of financial turbulence.
Temer could also be eying Paulo Leme, the chairman of Goldman Sachs (GS.N) in Brazil, and Luiz Fernando Figueiredo, a former central bank official and founder of asset manager Mauá Capital, two people familiar with the situation told Reuters.

Whatever the composition of Temer's possible government, it will likely face an uphill struggle given the embittered political climate, the depth of the economic crisis, and his PMDB party's involvement in a sweeping corruption investigation.

"Strikes and protests by Rousseff's organised labour supporters will complicate things for VP Michel Temer when he assumes the presidency in mid-May, but the Lava Jato probe is still a much greater liability for him and the PMDB", political risk consultancy Eurasia Group wrote in a client note.



El País (Espanha) – Brasil na expectativa / Coluna / Juan Arias

Sociedade vive momento histórico e se prepara para saber veredicto sobre Dilma

O Brasil está vivendo hoje, 17 de abril, um de seus momentos históricos mais dramáticos com a sociedade na rua, dividida até no espaço geográfico para evitar possíveis confrontos, enquanto o Congresso se prepara para dar seu veredicto sobre a possível sentença contra a presidenta Dilma Rousseff.

O que para o Governo e para os seguidores do Partido dos Trabalhadores (PT) é visto como um golpe, para a oposição significa uma oportunidade para uma mudança de rumo político após 13 anos de poder daquele partido e no momento de uma das maiores crises econômicas dos últimos 30 anos.
Dilma Rousseff não conseguiu conquistar o apoio e a simpatia das forças políticas que a apoiaram e que terminaram abandonando-a na hora do julgamento. Nas artes da política, Dilma não é o mago Lula.

Em seu apoio, apareceu precisamente o ex-presidente que viajou para Brasília, onde organizou uma quartel-general em um hotel ao lado do Palácio Presidencial com a difícil tarefa de convencer os antigos aliados a continuarem na base de apoio.

Foram horas dramáticas nas quais o ex-presidente se jogou com tudo para salvar Dilma do julgamento sumário do Congresso que, se for negativo, com toda a probabilidade receberá o voto definitivo do Senado que iria forçá-la a sair de cena e deixar a Presidência nas mãos de seu vice, Michel Temer, considerado seu grande inimigo político e até mesmo seu grande "traidor".
O ponto negro de todo este drama, é que o processo foi convocado e está sendo dirigido, pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um dos mais envolvidos em escândalos de corrupção. Além disso, a grande maioria das pessoas que se dispõem a votar contra Dilma, que não aparece pessoalmente incriminada em atos de corrupção, fazem parte da lista dos mais corruptos.
Talvez, dentro do drama que esta tarde vive o Brasil, o aspecto mais positivo é que, por enquanto, milhares de pessoas estão se manifestando nas ruas a favor e contra a possível condenação de Dilma com tons festivos e sem violência.

Esperemos que os brasileiros, qualquer que seja o veredicto do Congresso nas próximas horas, consiga continuar suas manifestações a favor e contra o processo contra Dilma, sem manchar de violência um dia já em si tão dramático.

E o país está na expectativa para saber o resultado da histórica e sombria votação.


The Wall Street Journal (EUA) – Brazil’s Impeachment Drama / Coluna / Mary Anastasia O’grady

Sunday’s special session of the lower house of the Brazilian Congress was a raucous affair as it met to vote on a motion to impeach President Dilma Rousseff of the Workers’ Party (PT). She is accused of using loans from state-owned banks to cover up a budget deficit her government created in violation of the Brazilian Constitution’s fiscal-responsibility law. After more than nine hours the motion won the 342 votes needed to pass.

Ms. Rousseff’s defenders said that it was a purely political attack by adversaries who are as corrupt as she is. In fact, her problems go much deeper.

With a constitution that gives the government almost unlimited power to intervene in the economy, it is hardly surprising that Brazil’s political system is riddled with conflicts of interest. But if this were a case of routine graft, Ms.Rousseff would likely have had success in her attempt to lure representatives from smaller parties to her side. As it stands, even if she had survived this vote, there are at least seven other impeachment petitions that will follow.
Brazil’s Congress is legendary for its lack of party discipline, and only three weeks ago it was widely believed that Ms.Rousseff could defeat the impeachment motion by offering lucrative posts in her government to opposition congressmen. But she wasn’t counting on the swelling wave of popular outrage against the PT machine.

This vote was a national referendum on the PT effort to bring bolivarianism—both its socialist economics and its political absolutism—to Brazil. It’s why House Speaker Eduardo Cunha scheduled the session on a Sunday. The nation was watching on television as each deputy voted on camera.
Even before the votes were counted, there were reports that the pro-impeachment side had the two-thirds majority necessary to prevail. The final result is evidence of the strong anti-Rousseff sentiment across the nation.

The petition now moves to the Senate which will decide with two simple-majority votes whether to suspend her and then set up an impeachment tribunal. After that a two-thirds majority vote in the Senate is needed to remove her from office. If she ultimately were cleared, Ms. Rousseff would resume her role as president, but during her suspension Vice President Michel Temer of the Brazilian Movement for Democracy Party would be in charge.

Ms. Rousseff only narrowly won re-election in October 2014 in a runoff against Brazilian Social Democratic Party candidate Aécio Neves. She pulled out that victory by using the power of her incumbency




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

FOLKCOMUNICAÇÃO DO CARNAVAL 2016

FOLKCOMUNICAÇÃO DO CARNAVAL 2016
POVO DEBOCHA DA CLASSE POLÍTICA

Por Sebastião Breguez


O Carnaval, festa do riso e do deboche, é época em que as pessoas ampliam sua capacidade de comunicação e expressão para interagir o máximo nos três dias de folia. Mudam-se as identidades e papéis sociais da vida cotidiana. As pessoas representam aquilo que não são ou não podem ser nos dias da rotina da vida cotidiana.  O povo debocha e ri de tudo. Fantasia a realidade do dia-a-dia. Mostra que o jeitinho brasileiro de comunicar é muito criativo e cheio de riqueza ímpar na imaginação popular. O antropólogo Roberto da Matta é autor de estudos sobre o caráter brasileiro da malandragem cuja expressão máxima está no carnaval.  Com base nos estudos dele, trabalho em pesquisas sobre o jeitinho brasileiro de comunicar desde os anos 2.000.
 
No Carnaval 2016 o deboche e a crítica social se concentrou na classe política . Esta marca se manifesta nas músicas de carnaval ou sambas enredo ou marchinhas carnavalescas. O deboche e a critica social desde ano se concentrou nos políticos. Lula ganhou uma marchinha este ano - Papa Luís 51, o papa da pinga 51 veja no link  https://youtu.be/leYnjqhOd8o . O ano passado teve marchinha do Aécio com o Helicoca, o helicóptero com dezenas de quilos de cocaína.
 
 
Mas vejamos o cardápio de 2016: “Como Dilma soca soca”, “Alcunha”, “Prefeito libera o cooler”, “Adeus em ritmo de lavajato”, “Continha na Suiça”, “Eles tão metendo a mão”, “Marchinha do Pixuleco”, “O japonês da Federal”, “Quem tem Cunha tem medo”, “Mandioca pra presidenta” e outras. Isto o espírito típico do jeitinho brasileiro de comunicar que se baseia no riso, no deboche, na crítica social, uso de imaginação e fantasia sem limite.
 
 
O carnaval 2016 também surpreendeu os pesquisadores porque voltou para manifestações de rua como em Belo Horizonte com a explosão de blocos caricatos. Os mineiros mostraram que não são a TFP Família Tradicional Mineira que fica no sofá da sala de estar vendo o carnaval pela TV. Foram para a rua, criaram dezenas de blocos com temperos diferentes. Teve de tudo: de rock a musica indiana, axé, brega e até jazz. A mistura mais sui generis foi do bloco Pena de Pavão de Krishna com ijexá, MPB e mantras. Foram mais de 80 blocos e uma multidão calculada em dois milhões de pessoas, segundo a Prefeitura de BH, que lotaram as ruas da capital mineira.
 

Historicamente, o carnaval de rua perdeu força na ditadura militar (1964-1984) quando o povo trocou as ruas pelo conforto do sofá com TV com medo da repressão. Mas ressuscitou agora com crise que impediu muita gente de viajar para locais tradicionalmente animados como Bahia, Pernambuco ou Rio de Janeiro. O carnaval de rua tomou força em Belo Horizonte este ano. É uma nova realidade do carnaval brasileiro. Minas passa a ter seu espaço próprio no universo carnavalesco nacional.
Se formos ver os sambas enredo do passado, encontramos muitas marchinhas que se adaptam à realidade social brasileira. Vejamos, por exemplo: “Máscara Negra” ( Tanto riso, tanto alegria, mais de mil palhaços no salão)não ficaria bem na voz do povo brasileiro. E os milhares áulicos sempre elogiando e enredando os poderosos não poderiam cantar em uníssono, o “Cordão dos Puxa Sacos” ( dando vivas aos seus maiorais. A “Aurora” (Se você fosse sincera) teria na presidente uma intérprete maravilhosa enquanto a turma que está nas tetas do governo estaria muito bem representada no “Mamãe, eu quero “ (Mamãe, eu quero mamar, me da a chupeta) num autêntico “mamanoduto”.
 
 
 
Os trabalhadores, estes, coitados, teriam que cantar o “Falta um zero no meu ordenado” ( Trabalho como um louco, mas ganho muito pouco, por isso eu vivo sempre atrapalhado). A turma da Lava Jato,o ex-presidente Lula e outros possuem a sua marchinha-hino, ´”A água lava tudo”( A água lava lava tudo, a água só na lava a língua desta gente”.. Será que a “Máscara da Face” (...deixou cair a máscara da face)não caberia bem na voz do ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral”. Claro que os mensaleiros e e os engajados nas propinas da Petrobrás também poderiam cantar o velha “Me dá um dinheiro aí” ( ...não vai dar, não vai dar, você vai ver a grande confusão) E põe confusão nisso, quase acabaram com a Petrobrás”. Ainda para Dilma e sobrando mais ainda para Eduardo Cunha a eterna “Daqui não saio “ ( ...daqui ninguém me tira...)
 
Para os “delatores” a eterna “Se a lua contasse” ( Se a lua contasse tudo que vê de mim e de você muito teria o que contar). O presidente do Senado, Renan Calheiros cantaria bem o “Nega Maluca” (Tava jogando sinuca, uma nega maluca me apareceu, trazendo um filho no colo, dizendo que o filho era meu) enquanto o ex-presidente Lula seria um bom intérprete para “Laranja Madura” (Você diz que me dá cama e comida, boa vida e dinheiro prá gastar. O que que há, tanta maldade faz até desconficar). Senadores e deputados citados ou por citar na Lava Jato poderiam formar um coro e cantar a “Fica quem Pode” (Quero ver quem fica, quero ver quem sai, quero ver quem fica, quero ver quem cai). Ainda tem outras e a lista poderia ter sido maior.

quarta-feira, 25 de março de 2015

CRISE NA IMPRENSA MINEIRA - A AGONIA DO 'ESTADO DE MINAS'


CRISE NA IMPRENSA MINEIRA
A AGONIA DO JORNAL'ESTADO DE MINAS'

ihttp://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed843_a_crise_na_soleira_do_estado_de_minas
 

 

IMPRENSA MINEIRA

A crise na soleira do ‘Estado de Minas’

Por Sebastião Breguez em 24/03/2015 na edição 843
 
 

O tradicional jornal mineiro Estado de Minas, carro-chefe dos Diários Associados, antigo império da imprensa de Assis Chateaubriand, está à beira da falência. Os rumores de sua crise financeira são antigos. Já se falava, há alguns anos, que o jornal estava à venda, procurando um grupo empresarial para tocar a empresa. Mas nenhum comprador apareceu até agora. Hoje, no cume de sua agonia, colocou sua sede à venda e já começou processo de demissões de jornalistas e funcionários administrativos. O jornal completou 87 anos de circulação no último dia 7 de março em meio à maior crise que já enfrentou em sua história. O diário começou a circular em 7 de março de 1928.
 
Nas últimas eleições, o jornal deixou de lado a sua neutralidade – característica do seu perfil tradicional e conservador, que é a base da ética mineira – para apoiar abertamente Aécio Neves à Presidência da República. Publicou reportagens com grandes manchetes na primeira página sobre o envolvimento do PT na corrupção, em geral, e em especial na Petrobras. Naturalmente, com o resultado das eleições, sua opção comercial não contribuiu para sua sobrevivência empresarial. Pois o PT, que foi atacado, venceu para o governo de Minas e para a Presidência da República. Assim, o jornal ficou fora do loteamento da verba publicitária governamental em nível estadual e federal.

Mas isso não é só a causa principal de sua falência empresarial. As empresas mineiras enfrentam problemas com a crise nacional e internacional, e diminuíram as inserções de anúncios na mídia em geral. A Fiat, a VS Tubos, a Gerdau-Açominas, a Usiminas e outras estão em crise e dando férias coletivas a seus funcionários. Também estão demitindo. O que contribui para a diminuição do volume da publicidade para a imprensa em geral. Mas a crise do Estado de Minas não é de hoje, e sim resultado de décadas de erros e tentativas comerciais e editoriais mal pensadas.

Promiscuidade suspeita
 
Lembro-me que, há dez anos, levei meus alunos de jornalismo para uma visita ao Estado de Minas. O editor-geral, João Bosco Martins, foi o anfitrião. Em sua palestra no auditório do jornal, disse que estava difícil vender jornal impresso e que a publicidade estava em baixa. Já alertava os alunos e futuros profissionais do jornalismo sobre a crise da imprensa escrita e a retração do mercado de trabalho do setor. Também já trabalhei no jornal, no Segundo Caderno (Cultura), nos anos 1970, numa época que reinava sozinho e era o todo-poderoso diário das Gerais.

Mais antigo, tradicional e conservador jornal de Minas Gerais, o Estado de Minas é mais um exemplo da decadência da mídia impressa. Está procurando comprador para o edifício onde está instalada sua redação. Trata-se de um prédio na Avenida Getúlio Vargas, na Savassi, um dos pontos mais valorizados de Belo Horizonte. De acordo com fontes do mercado imobiliário local, o jornal dos Diários Associados estaria pedindo R$ 50 milhões, mas teria ofertas de, no máximo, R$ 30 milhões. (A sede original do jornal, na Rua Goiás, no centro da capital mineira, ainda pertence ao grupo.)

A venda da sede do Estado de Minas é mais um capítulo da crise da mídia impressa. O jornal enfrenta uma crise de credibilidade, custos crescentes, queda de circulação e diminuição da receita publicitária. A direção do grupo deve transferir a redação para a sede da TV Alterosa, retransmissora do SBT em Minas Gerais. Outros jornais mineiros, como o Hoje em Dia e O Tempo, também passaram por reestruturações empresariais, corte de pessoal e alteração do formato e estilo de redação na luta pela sobrevivência.

A crise financeira do Estado de Minas, entretanto, começou em 1987. O então governador Newton Cardoso, no início de seu mandato, resolveu mudar as regras de jogo da publicidade oficial de Minas Gerais. Não pagou adiantado, como fizeram seus antecessores, o valor anual da verba publicitária destinada aos Diários Associados (jornal Estado de Minas, Rádio Guarani e TV Alterosa). A tradição era o governo pagar adiantado o valor da publicidade anual em março-abril. Coube à Secretaria da Fazenda de Minas informar ao então presidente dos Diários Associados, Camilo Teixeira da Costa. Uma semana depois, começou a retaliação. O jornal fez a primeira reportagem de denúncia contra Newton Cardoso, mostrando uso de caminhões do DER-Departamento de Estradas de Rodagem para levar material a sua fazenda no Sul da Bahia.

A guerra Estado de Minas vs. Newton Cardoso começou e acabou virando caso de polícia e de baixaria. O jornal fez reportagens mostrando que Newton era truculento e estuprador. Newton retrucou com matérias pagas em outros jornais escancarando o processo de separação conjugal de Camilo Teixeira da Costa, por este ter sido encontrado por sua esposa em plena intimidade com funcionário em sua residência em Santa Luzia, na Grande BH.
 
Em paralelo, Newton Cardoso montou um império de comunicação em Minas Gerais para combater o Estado de Minas. Comprou as máquinas da antiga Última Hora, do Rio, e criou o diário Hoje em Dia. Montou ainda outra publicação: comprou a marca Diário de Minas e ressuscitou o velho jornal mineiro. O valor da verba publicitária, que era dada ao grupo Diários Associados, foi realocada para esses jornais e também para outros veículos, como Diário do Comércio, SBT e TV Globo. Mas não parou aí: equipou o jornal Minas Gerais, da Imprensa Oficial de MG, contratou os melhores jornalistas, com bons salários, e também atrações de vários veículos, como Jornal do Brasil.

Tive oportunidade de testemunhar isso porque trabalhei, na época, no jornal Minas Gerais, como editor, e no Diário de Minas, também como editor. O ano de 1987 foi uma revolução na mídia em Minas Gerais. Houve uma transformação brusca no formato jornal mineiro, em todos os sentidos. A mídia impressa ganhou cara nova com introdução de fotos coloridas, reportagens investigativas, e foi mudando o estilo de redação jornalística e a apresentação gráfica. O jornal Hoje em Dia revolucionou a estética jornalística mineira com fotos coloridas, menos texto e mais imagens.

O conservador e tradicional Estado de Minas, sem a gorda verba publicitária do governo, também teve que mudar. Passou a fazer reportagens investigativas sobre a corrupção no governo Newton Cardoso. Também mudou a apresentação gráfica e introduziu fotos coloridas. Começou a fazer mais jornalismo e não propaganda institucional do governo. Até 1987, era tradição em Minas de que o editor de Política do Estado de Minas fosse nomeado chefe da Assessoria de Imprensa do governo. O editor de Cultura era nomeado assessor de imprensa da Secretaria Estadual de Cultura. Enfim, os editores do jornal assumiam a comunicação governamental. Os releases que produziam para divulgação das ações governamentais eram publicados na íntegra no Estado de Minas.

Crise internacional

Se a briga entre o Estado de Minas e Newton Cardoso resultou na perda de arrecadação do jornal, outro conflito veio piorar ainda mais a situação do tradicional diário mineiro. Foi uma série de reportagens-denúncia contra o deputado Vittorio Medioli, dono da Sada, transportadora oficial da Fiat Automóveis e de outras empresas. Medioli resolveu criar um novo jornal – O Tempo. Prometeu, na época, acabar como império do Estado de Minas. Comprou máquinas modernas e instalou em Betim, na Grande BH, o seu jornal com modelo dinâmico e arrojado projeto editorial. Entrou na briga pelo mercado de leitores e de publicidade na tradicional Minas Gerais.

Nos dias atuais, como se viu nas últimas eleições, o Estado de Minas deixou sua neutralidade para apoiar abertamente o candidato Aécio Neves. Mas o PSDB, partido de Aécio, perdeu o governo de Minas e a Presidência da República. As reportagens que o jornal publicou no período das eleições eram contra a candidatura de Dilma Rousseff e procuravam associar a corrupção política ao PT. Foi uma estratégia errada, porque quem ganhou as eleições foi o PT. O Estado de Minas, mais uma vez, perdeu a participação dos anúncios do governo que sempre representaram uma forte fonte de renda do jornal.

A verba publicitária mineira se diluiu com a concorrência de jornais diários em Minas Gerais. A crise dos anos 1990, com a globalização, o surgimento da internet e das ferramentas da tecnologia digital, minaram mais ainda o cenário da imprensa mineira. A queda de leitura da informação impressa e a concorrência da informação digital colocaram mais pimenta no caldo.

Os jornais impressos estão passando por uma crise desde que explodiu a globalização nos anos 1990. Mas também em função das novas tecnologias da informação. Estamos no final da Civilização Gutenberg, que é a civilização da cultura impressa no papel. Ingressamos na Civilização Digital, no mundo cibernético em todos os sentidos. Há até um estudo da Future Exploration Network (EUA) que prevê o fim do jornal impresso no Brasil em 2027. Claro, o jornal impresso nunca deixará de existir. Ele está se adaptando em termos de formato, apresentação visual e técnica de redação.

A grande imprensa nacional também está em crise. A revista Veja e O Estado de S.Paulo estão em crise. O Estadão após “pesquisas qualitativas e entrevistas em profundidade com diversos setores da sociedade”, resolveu enxugar a publicação e acabar com vários cadernos. Com isso, o diário da família Mesquita demitiu dezenas de jornalistas. Assim, a crise não é só financeira, mas também de credibilidade, porque o número de assinantes e de venda em banca estão caindo vertiginosamente. Nos Estados Unidos, o Washington Post também colocou à venda a sua sede para superar a crise. Sem falar nas movimentações do Le Monde, na França, do El País, na Espanha, do Corriere della Sera, na Itália e outros. A crise não é só brasileira ou mineira: é internacional e tem seus agravantes regionais e locais.

Dispositivos móveis

Alguns jornais eliminaram as edições impressas, como o Jornal do Brasil, no Rio, o Diário da Tarde, em Belo Horizonte, e outros. Os demais jornais, além da edição impressa, mantêm uma edição digital em seus portais. Ali, as principais notícias são estampadas com destaque, com texto curto, ilustração e imagem chamativa. Com a explosão da informação online, jornais, rádios e TVs mantêm edições digitais. Há também grande crescimento de portais de informação, como UOL ou UAI, que apresentam as principais notícias do Brasil e do mundo, atualizadas várias vezes ao dia. Esta revolução da informação eletrônica enfraquece o modelo antigo e tradicional da notícia em papel, acentuando a crise da civilização impressa. O mercado da informação eletrônica está em alta, com grande competitividade e concorrência. Vence quem consegue ter mais acessos e, com isso, maior volume de publicidade.

Em Minas Gerais, os jornais Hoje em Dia eO Tempo mudaram de formato, do tamanho standard (cópia do modelo gráfico de jornais norte-americanos) para tabloide (característico dos jornais europeus e da América Latina). Também em Minas Gerais surgiram dois novos jornais tabloides de preço baixo (R$ 0,25) com notícias de apelo popular – Super e Aqui. Eles são sucesso de vendas em Belo Horizonte. Sua receita de jornalismo: formato tabloide, texto curto, notícias sensacionalistas de crime e paixão e foto de belas e sensuais mulheres seminuas na primeira página. Ambos também mantêm uma edição digital em seus sites.
 
De resto, esta é mais uma crise no mundo da mídia impressa no Brasil e no mundo. No Brasil, as razões que sustentam a perda do leitor da mídia impressa são o desenvolvimento tecnológico econômico, o crescimento urbano e a desigualdade socioeconômica. Há também outros fatores como a absorção da tecnologia, o desenvolvimento da banda larga, a penetração de smartphones e tablets, a receita de publicidade no jornal, o suporte para a mídia, censura e comportamento do consumidor.

O aparelho de celular incorporou as mídias tradicionais como jornal, rádio, TV e cinema, revolucionando a sociedade informacional. Na verdade, toda era de mudanças de paradigmas leva a previsões realistas e imaginárias. O jornal impresso deve se adaptar às novas mudanças tecnológicas e culturais para enfrentar a nova realidade do leitor do século 21. E sobreviver. 

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Sebastião Breguez é jornalista e professor universitário em Belo Horizonte.